O mercado de criação de conteúdo digital no Brasil movimenta bilhões de reais por ano, com mais de 2.500 campanhas publicitárias realizadas apenas em 2024 por uma única plataforma. Se você é influenciador digital — ou pretende se tornar um — compreender o arcabouço jurídico que rege sua atividade é fundamental para proteger seus direitos e evitar problemas legais.

A Lei dos Influenciadores (Lei nº 15.325/2026)

Sancionada em 6 de janeiro de 2026, a Lei nº 15.325 é um marco na regulamentação da atividade de profissionais multimídia no Brasil. Ela define o profissional multimídia como aquele que exerce, de forma habitual ou profissional, atividades de criação, produção, edição ou veiculação de conteúdo em diversos formatos digitais, incluindo conteúdo com finalidade publicitária.

📋 Base Legal: Lei nº 15.325/2026 — Regulamenta a profissão de criador de conteúdo multimídia no Brasil. Não exige diploma específico, mas estabelece critérios para o exercício profissional com habitualidade e finalidade econômica.

É importante ressaltar: a lei não cria um regime de responsabilidade totalmente novo. Ela reforça o caráter profissional da atividade, especialmente quando envolve publicidade. Isso significa que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e as normas de responsabilidade civil continuam plenamente aplicáveis.

Contratos Publicitários: O que exigir

Com a nova regulamentação, os contratos entre influenciadores e marcas passam a ter um ambiente com maior segurança jurídica. Ao assinar um contrato de publicidade, certifique-se de que ele contemple:

Responsabilidade Civil e o CDC

O Art. 7º, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade solidária: quando mais de um agente causar dano ao consumidor, todos respondem pela reparação. A jurisprudência brasileira tem entendido que o influenciador pode ser equiparado a um fornecedor, pois participa da cadeia de consumo ao endossar a qualidade de um produto.

⚖️ Jurisprudência: Art. 36 e Art. 37 do CDC — Toda publicidade deve ser clara e identificável. A chamada "publicidade invisível" ou disfarçada é vedada por confundir o consumidor e violar o princípio da transparência.

Na prática, isso significa que se você divulgar um produto sem checar a idoneidade da empresa e o consumidor sofrer prejuízo, poderá ser processado conjuntamente com a marca. A Lei nº 15.325/2026 reforça esse dever de diligência: a obrigação de verificar a idoneidade da empresa antes de iniciar uma campanha.

Proteção de Imagem e Direitos Autorais

O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) estabelece princípios como privacidade e transparência que protegem todos os usuários — incluindo influenciadores. Seus principais direitos incluem:

Dicas Práticas

  1. Sempre formalize por escrito qualquer contrato de publicidade, mesmo com marcas pequenas
  2. Identifique claramente toda postagem patrocinada com "#publi" ou "#ad"
  3. Mantenha registros de todas as negociações e pagamentos
  4. Consulte um advogado especializado antes de assinar contratos de longo prazo ou exclusividade
  5. Registre formalmente suas criações de conteúdo para proteção adicional

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